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‘SEGREDOS DE BASTIDORES’: AS CADEIRAS VAZIAS DA CÂMARA E O SILÊNCIO QUE FALA ALTO ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO

Na política, presença não é apenas física. é sinalização. E, quando faltam vereadores em sessões decisivas, o recado que fica vai muito além do registro no painel eletrônico.

O levantamento das sessões da Câmara Municipal de Manaus entre fevereiro e março revela um padrão que, em ano pré-eleitoral, não passa despercebido nos bastidores.

O caso de Rosinaldo Bual é emblemático. Afastado e sob investigação, ele lidera o ranking de ausências — e, mesmo fora do jogo ativo, continua influenciando a percepção pública sobre a Casa.

Mas o problema não se restringe a um nome. Quando figuras como Eurico Tavares e Rodrigo de Sá aparecem com número elevado de faltas, o debate deixa de ser individual e passa a ser institucional.

A questão deixa de ser “quem faltou” e passa a ser “por que tantos faltam”.

JUSTIFICATIVA NÃO É PRESENÇA

O argumento formal existe: a maioria das ausências foi registrada como justificativa regimental (AJ2), sem impacto financeiro.

Mas, na prática política, justificativa não substitui presença, principalmente quando os próprios vereadores aparecem como “presentes” no sistema, enquanto o plenário exibe cadeiras vazias.

Esse descompasso entre registro e realidade cria um ruído perigoso: o de que há uma formalidade sendo cumprida, mas não necessariamente uma atuação efetiva.

O MOMENTO MAIS SENSÍVEL

Nos bastidores, a oposição já construiu uma narrativa clara: as ausências ocorrem justamente durante os debates mais relevantes.

É ali que projetos são discutidos, que posições são expostas e que embates definem rumos políticos.

Faltar nesse momento não é apenas ausência. é escolha. E escolha, em política, sempre cobra preço.

BRASÍLIA COMO ÁLIBI

A justificativa apresentada por Eurico Tavares segue uma linha comum: agendas em Brasília, articulação com senadores, defesa da Zona Franca e captação de recursos.

Esse tipo de agenda tem peso político real. Mas, no contexto local, abre margem para um questionamento inevitável: até que ponto a atuação externa compensa a ausência interna?

Nos bastidores, a leitura é pragmática: vereador precisa mostrar serviço onde o eleitor consegue ver. E, nesse caso, o plenário ainda é o principal palco.

PRÉ-CAMPANHA DISFARÇADA

O período analisado coincide com a fase mais sensível de pré-campanha. E é aí que a ausência ganha outra camada de interpretação: muitos parlamentares já estão, na prática, em ritmo eleitoral.

Reuniões externas, articulações políticas, construção de base, tudo isso consome tempo e desloca o foco da atividade legislativa tradicional.

O problema é que o eleitor começa a perceber. E, quando percebe, cobra.

O SILÊNCIO QUE PREOCUPA

Outro ponto que chama atenção nos bastidores é o silêncio.

A tentativa de entrevista frustrada pela imprensa não é detalhe, é sintoma.

Quando os principais nomes evitam falar, deixam o campo livre para que adversários construam a narrativa. E, em política, quem não se explica… acaba sendo explicado pelos outros.

O RISCO COLETIVO

Embora o ranking individualize as faltas, o desgaste tende a ser coletivo.

A imagem da Câmara como um todo entra em xeque, principalmente quando há contraste entre presença registrada e ausência percebida.

Isso abre espaço para discursos mais duros, especialmente em ano eleitoral, quando o sentimento antipolítica costuma ganhar força.

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

O que está em jogo não são apenas números de faltas — é a credibilidade da atuação parlamentar.

As ausências, mesmo justificadas, alimentam uma percepção perigosa: a de distanciamento entre representantes e representados.

E, às vésperas da eleição, percepção vale tanto quanto fato.

No fim, não será o painel eletrônico que decidirá o julgamento do eleitor, mas a memória das cadeiras vazias nos momentos em que a cidade precisava de voz ativa no plenário.

Fonte: Portal ZACARIAS

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