Borba vive um dos capítulos mais sombrios de sua história recente.
A morte trágica da jovem Vitória não pode — e não deve — ser tratada como um caso isolado. Ela surge como um alerta ao sistema municipal de saúde, principalmente ao da saúde mental.
A cidade está supostamente doente. E não é apenas na parte física, a mente do povo borbense também está adoecendo diante da falta de atendimento, da ausência de profissionais, da inexistência de uma política séria de cuidado psicológico.
Profissionais da própria rede municipal, um psicólogo e uma enfermeira, romperam o silêncio e expuseram aquilo que a população sente na pele.
Segundo denúncias de profissionais e da população, não há psicólogos suficientes, não há estrutura adequada, não há suporte para atender quem sofre em silêncio.
São denúncias vindas de quem está na linha de frente, de quem atende crises, acompanha desespero e presencia diariamente situações limite. São vozes que não podem ser ignoradas.
Segundo informações, em vez de anunciar medidas emergenciais, contratações ou reforço imediato da rede, representantes da gestão do prefeito Toco Santana optaram pelo caminho mais fácil.
Segundo denúncias, houve tentativa de minimizar o problema, desacreditar os profissionais e transformar dor em disputa política, usando comparações de números entre gestões, como se vidas humanas fossem estatísticas de conveniência.
A obrigação de um prefeito é seus secretariados não é produzir gráficos. É simplesmente e obrigatoriamente, administrar com responsabilidade, zelar e cuidar da população e de toda estrutura física do município, proporcionando um bem estar social a toda sociedade. São eles que planejam, contratam, organizam e executam as políticas públicas.
A Câmara Municipal de Borba também precisa ser chamada à responsabilidade.
Onde estão os vereadores?
Onde estão as cobranças públicas?
Onde estão as audiências, fiscalizações e convocações?
O silêncio do Legislativo é visível. Vereadores eleitos para fiscalizar parecem ter escolhido fechar os olhos para a dor do povo. Ao se omitirem, tornam-se parte do problema.
A morte de Vitória precisa ser encarada como um alerta máximo. Não como mais um número. Não como uma fatalidade inevitável. Mas como um sinal de que algo errado está acontecendo. Se providências urgentes não forem tomadas, novas tragédias virão. E quando vierem, não poderão ser atribuídas ao acaso, ao destino ou à fatalidade.
Fizemos contato através de e-mail da prefeitura, mas até o fechamento da matéria não tivemos nem um retorno.
O Portal Radar Crítico deixa o espaço para que a gestão atual, administrada pelo prefeito Toco Santana possa responder a todas essas declarações que tivemos acesso.



