O Pastor Jonathas Câmara, influente presidente da Assembleia de Deus no Amazonas (IEADAM) e figura de projeção política e social no estado, foi formalmente citado durante os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS em Brasília, em mais um desdobramento das investigações sobre o esquema bilionário de fraudes e descontos indevidos em benefícios previdenciários.
A menção ao nome do líder religioso ocorreu durante o depoimento de um empresário investigado por operar na suposta rede de intermediação de benefícios fraudulentos, um esquema que a Polícia Federal estima ter gerado um rombo de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, por meio de associações e sindicatos. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou o depoente sobre possíveis repasses financeiros feitos à Fundação Boas Novas, instituição ligada à IEADAM e presidida pelo Pastor.
O foco da investigação parlamentar recai sobre uma doação não detalhada de quase R$ 12 mil que teria sido destinada à Fundação. A suspeita é que entidades religiosas, assim como associações de aposentados, possam ter sido utilizadas para triangular ou receber fundos originados das fraudes previdenciárias. A Fundação Boas Novas é amplamente conhecida por manter emissoras de rádio e TV da igreja no Amazonas, o que a coloca no centro das atenções devido ao seu alcance.
O empresário, ao ser confrontado com a pergunta, optou por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio. No entanto, os parlamentares da CPMI sinalizaram que aprofundarão a investigação do fluxo de doações para entidades vinculadas a figuras religiosas e políticas, buscando esclarecer a origem dos recursos e se houve qualquer contrapartida ou favorecimento.
A citação de Jonathas Câmara, cuja influência se estende a diversas pautas da bancada evangélica no Congresso Nacional e no cenário político amazonense, adiciona um elemento de alta repercussão ao escândalo do INSS. Embora o Pastor Câmara e a Fundação Boas Novas não tenham se manifestado publicamente até o momento, a comissão já deu passos firmes para solicitar a quebra de sigilos e a convocação de dezenas de envolvidos, incluindo ex-presidentes do INSS e diretores da Dataprev. O objetivo central é desvendar o modus operandi dos desvios, recuperar o dinheiro e, sobretudo, proteger os aposentados e pensionistas do país.



