A pesquisa Ipen/G6 divulgada na semana passada mostrou um cenário em que nenhum dos candidatos a governador do Amazonas está garantido no segundo turno das eleições deste ano. Na pesquisa, uma amostra do pensamento do eleitorado entre os dias 17 e 22 de maio, o senador Omar Aziz, pré-candidato do PSD, apareceu à frente, e outros três candidatos embolavam o segundo lugar.
A pesquisa eleitoral, como a maioria do eleitorado sabe, é um retrato do momento, e uma de suas características é a volatilidade dos resultados. O que uma sondagem mostra em uma semana pode ser totalmente modificado na semana seguinte. Essas mudanças dependem de uma série de fatores. Um passo em falso pode tirar um candidato da disputa, assim como uma fala bem colocada pode elevar a visibilidade de outro. A mobilização acertada de um pode levar o eleitor a mudar de opinião, ao mesmo tempo em que uma guinada no discurso pode reposicionar um candidato.
Os quatro pré-candidatos que apareceram nas primeiras posições tinham menos de 30 pontos percentuais na pesquisa Ipen/G6. O senador Omar Aziz, apareceu com 34,6% em um cenário sem Roberto Cidade (União Brasil), e com 29,8% quando o governador é apresentado ao eleitorado.
Roberto Cidade, que até a última semana de março nem era cogitado para disputar o governo, se tornou governador em abril e chegou tirando votos de todos os candidatos que já havia lançado pré-candidatura. O Ipen mostrou que 14,9% votariam nele naquela semana em que os dados foram coletados.
À frente dele, com apenas 0,7 ponto percentual de diferença, a empresária e representante da extrema-direita Maria do Carmo Seffair (PL) tinha 15,6%. O ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante) vem logo à frente, quase colado, com 16%, ou seja, 0,4 ponto de diferença.
Todos esses pré-candidatos têm potencial de crescimento na disputa. Apesar da mobilização política tanto na capital quanto no interior do Estado, a campanha eleitoral oficial só começa em agosto, quando os eleitores passam a ver a mobilização de rua, a propaganda na TV, no rádio e na internet.
É nesse momento que os candidatos passam a apresentar propostas, a desenterrar cadáveres dos adversários e a botar o bloco nas ruas. É o momento de tentar descontruir a imagem dos concorrentes.
Portanto, a campanha ainda não começou, e a decisão de voto do eleitorado ainda não está consolidada. É o que mostrou a pesquisa espontânea para governador, quando o pesquisador perguntou ao eleitor em quem ele votaria, mas não apresentou nomes. 72,4% não souberam ou não responderam.
É a busca desse eleitor que interessa aos candidatos e seu staff de campanha. Nesse cenário da espontânea, Omar Aziz apareceu com 6,4%, seguido por Maria do Carmo, com 5,2% e David Almeida, com 2,5. Roberto Cidade tinha 2,3%. Como se vê a diferença ente os quatro não é grande.
Alguns candidatos preferem ignorar os números, principalmente quando lhes são desfavoráveis. No entanto, os números do Ipen não são para agradar, mas para revelar, porque são apresentados sem manipulação.
Quem quiser se enganar com números falsos para tentar ludibriar o eleitor, poderá se dar mal. O melhor a fazer, neste momento, é avaliar a pré-campanha, ajustar a rota, se necessário for, e bola pra frente, porque a campanha de verdade só começa mesmo depois da Copa do Mundo de Futebol.


