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Iranduba: Quase R$ 1 Bilhão em 5 Anos, Mas a Saúde Pública em Crise

A discrepância entre o volume de recursos movimentados e a qualidade dos serviços públicos atingiu um ponto crítico em Iranduba. Nos últimos cinco anos, o município viu a circulação de quase R$ 1 bilhão em recursos públicos. Entretanto, a realidade da Saúde Iranduba está distante de refletir esse vultoso aporte financeiro.

A Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), liderada por Luana Ferraz, esposa do prefeito Augusto Ferraz, administrou mais de R$ 71 milhões em verbas. Este montante inclui recursos municipais, federais e convênios. No entanto, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) seguem abandonadas. Elas apresentam, por exemplo, problemas graves como infiltração, mato alto, equipamentos antigos e uma notória falta de profissionais.

Portanto, a população precisa buscar atendimento em Manaus, até mesmo para serviços básicos. Este cenário de precariedade levanta questões urgentes sobre a gestão de prioridades no município.

O Buraco Negro da Transparência e a Fiscalização em Crise

Um dos pilares essenciais da boa gestão pública é a transparência. Contudo, a equipe de investigação encontrou uma falha grave: o Portal da Transparência municipal não tem dados atualizados. Esta omissão dificulta qualquer fiscalização efetiva.

A falta de informações sobre contratos, licitações e gastos da pasta impede que órgãos de controle e a própria sociedade monitorem o uso da verba de R$ 71 milhões. Para que a Saúde Iranduba possa ser reestruturada, é imperativo o cumprimento da Lei de Acesso à Informação (LAI), permitindo o acompanhamento do destino de cada centavo público.

Licitação Milionária: Medicamentos X Estrutura

Em meio à deterioração das unidades de Saúde Iranduba, a SEMSA lançou uma nova e controversa licitação. O edital prevê um gasto de R$ 38,1 milhões para a compra de medicamentos. Este valor equivale a mais de 70% de todo o orçamento anual da Saúde (R$ 54 milhões).

O foco da gestão é, portanto, questionável. Por um lado, há uma licitação grandiosa que inclui R$ 228 mil em paracetamol e mais de R$ 800 mil em sulfato ferroso. Por outro lado, a estrutura física das unidades desmorona. A prioridade parece estar na compra de insumos, e não na melhoria das condições de atendimento, do corpo técnico e da infraestrutura. A Controladoria-Geral da União (CGU) possui diretrizes claras sobre o Uso Racional de Verbas em Saúde.

O Abandono da Frota Oficial

O descompasso entre recursos e resultados se manifesta também na logística. Veículos oficiais estão parados no pátio da SEMSA, enquanto comunidades rurais continuam sem transporte essencial para pacientes e equipes de atendimento. Este abandono da frota impacta diretamente o atendimento primário, obrigando os mais pobres a arcar com os custos de deslocamento ou, em suma, a ficar sem assistência.

A situação da Saúde Iranduba levanta uma pergunta que não pode calar: Com tantos recursos e tão poucos resultados práticos para a população, qual é a verdadeira prioridade em Iranduba? Melhorar a saúde pública ou fortalecer um projeto político familiar baseado na Gestão de Orçamentos Familiares na Administração Pública?

O Ministério Público e o Tribunal de Contas devem agir para fiscalizar e exigir que o uso dos recursos reflita as necessidades reais dos moradores.

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