A gestão de resíduos sólidos em Iranduba, que já é um desastre ambiental e sanitário, transformou-se em um explosivo palanque político. A situação do lixão a céu aberto, que opera em flagrante descumprimento do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020) desde 2021, motivou um desabafo viral de um morador. A grave acusação: o prefeito Augusto Ferraz estaria postergando a solução definitiva para o problema com o intuito de manipular a crise em benefício eleitoral de sua esposa.
O morador questionou a inação municipal diante da calamidade: “Prefeito, o senhor quer usar o lixão para ganhar voto para sua esposa?”. A denúncia ecoa uma preocupação crescente na cidade de que a saúde pública e a proteção ambiental foram rebaixadas a meras ferramentas de barganha política.
O lixão no ramal do Janauari é um foco de contaminação que ameaça diretamente a qualidade de vida. A decomposição do lixo gera chorume tóxico, contaminando o solo e, potencialmente, lençóis freáticos e igarapés próximos, um grave risco à saúde das comunidades ribeirinhas. A persistência do lixão, em vez de um aterro sanitário tecnicamente controlado ou uma usina de tratamento (conforme prometido no Plano de Governo de 2025-2028), sugere uma falha crítica de gestão ou um desinteresse proposital.


O contexto é agravado pelo histórico de polêmicas da gestão Ferraz, que já enfrentou alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) por ultrapassar limites de gastos com pessoal e acusações de uso eleitoreiro de obras de infraestrutura. A suspeita levantada pelo morador se soma à narrativa de que a administração prioriza projetos pessoais ou familiares em detrimento de demandas urgentes e estruturais.
O debate sobre a destinação do lixo em Iranduba também se polariza em torno do projeto do Aterro Sanitário (STDR Iranduba), uma obra que, apesar de ser a solução legal e ambientalmente correta para erradicar o lixão, enfrenta resistência de comunidades que temem o impacto direto em sua produção agrícola, turismo e modo de vida, levantando a bandeira do “racismo ambiental”. Entre o descaso do lixão e a controvérsia do aterro, a população se vê encurralada, enquanto a crise sanitária segue sem resolução efetiva, servindo, infelizmente, como pano de fundo para as disputas eleitorais.
A comunidade e a oposição exigem que o prefeito Augusto Ferraz preste esclarecimentos sobre a lentidão em cumprir a lei federal e adote medidas imediatas para erradicar o lixão, cessando a exploração política de um problema que afeta diretamente a vida dos cidadãos de Iranduba.




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