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Apesar de a maioria dos brasileiros (59%) declarar ter algum nível de planejamento financeiro, a realidade mostra uma vulnerabilidade alarmante: 43% da população não possui nenhuma reserva de emergência guardada para imprevistos. O dado, revelado por uma pesquisa Datafolha encomendada pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), expõe um grande abismo entre a percepção de organização e a segurança financeira efetiva no país.
O estudo, realizado com 2 mil pessoas das classes A, B e C, com acesso à internet, aponta que o brasileiro vive no limite e está altamente exposto a choques financeiros. A gravidade da situação é sublinhada por outro número: 84% dos entrevistados admitiram ter enfrentado, nos 12 meses anteriores à pesquisa (julho/2025), pelo menos uma situação emergencial que demandou recursos não previstos, como atraso de contas ou despesas médicas inesperadas.
A contradição entre “sentir-se planejado” e “não ter reserva” é um reflexo da fragilidade da educação financeira e das dificuldades macroeconômicas. Quase quatro em cada dez (39%) conseguem pagar suas contas, mas relatam que não sobra dinheiro para a poupança. Outros 19% afirmam que sequer conseguem pagar todas as despesas em dia, ilustrando um cenário onde a sobrevivência mensal consome toda a renda.
Ciclo de Endividamento e a Alta Taxa de Juros
A falta de uma reserva mínima – recomendada por especialistas para cobrir de 3 a 12 meses de despesas – força a população a recorrer ao crédito em momentos de aperto. Uma pesquisa recente da Serasa corrobora esse quadro ao apontar que gastos inesperados e a ausência de um colchão financeiro estão entre as maiores preocupações dos brasileiros para 2025. Esse comportamento mantém o país em um ciclo vicioso de endividamento, especialmente em um contexto de taxas de juros elevadas.
Em setembro de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, um patamar que encarece drasticamente o crédito (rotativo do cartão, cheque especial e empréstimos) e aumenta a pressão sobre as famílias que já estão endividadas. Embora essa alta taxa de juros torne investimentos como o Certificado de Depósito Bancário (CDB) mais atrativos, a maioria da população, por falta de capital ou conhecimento, continua à margem desse mercado. A pesquisa do Datafolha revela que a busca por auxílio profissional é rara: 57% dos brasileiros não contam com ajuda especializada para organizar suas finanças.
Especialistas alertam que a solução de longo prazo passa pela expansão da educação financeira. Apenas 16% dos brasileiros tiveram algum tipo de ensino sobre o tema na escola ou faculdade, enquanto a maioria aprende sobre finanças apenas por necessidade ou após acumular dívidas, segundo a Funpresp-Jud. Enquanto o planejamento financeiro não se torna um pilar da educação básica, milhões de famílias continuam vulneráveis, trocando a segurança pela satisfação das necessidades imediatas e perpetuando o cenário de fragilidade econômica nacional.



